Produtora cultural, arte-educadora e atriz, formada em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina, Marina Dasaque foi escolhida para abrir o 14º Encontro de Contadores de Histórias (ECOH) no assentamento Nossa Senhora Aparecida, região norte da cidade, com o espetáculo Miúda Giganta.
Integrante da trupe de teatro e circo Primavera Jataí, ao lado do parceiro Den Macedo, ela une no palco linguagens que atravessam sua vida desde a infância: o teatro, o circo e a performance.
Nesta conversa, Marina fala sobre sua trajetória, a criação da heroína Miúda Giganta e o que significa abrir um festival que, para ela, é sinônimo de encontro humano e compartilhamento cultural.
Como começou a sua história com o teatro e o circo?
Marina Dasaque – Eu sou artista, produtora cultural e arte-educadora da trupe Primavera Jataí. Minha formação é em teatro, mas o circo também entrou na minha vida tanto na universidade, no bacharelado em Artes Cênicas, quanto fora dela. O teatro me acompanha desde que me entendo por gente. Cresci no interior de São Paulo, onde havia um movimento forte nas escolas e participei de grupos teatrais desde cedo. Depois da faculdade, segui me aprofundando no circo, na performance, no teatro de rua e em outras linguagens, sempre com a arte e a educação caminhando juntas.
Como nasceu o espetáculo “Miúda Giganta”?
Marina Dasaque – O espetáculo surgiu do nosso trabalho com as infâncias e, principalmente, da minha experiência como mãe, em 2020, durante a pandemia. Eu queria criar para o meu filho a história de uma heroína com valores que admiro: a força da arte, do teatro e do circo. Também mostrar o poder das mulheres quando tomam as rédeas da própria narrativa. Foi um processo atravessado pelo feminismo, pela maternidade e pelo desejo de mostrar para ele que meus sonhos não iriam parar para criá-lo. Ao contrário, se multiplicariam.
Qual é a sua relação com o ECOH?
Marina Dasaque – Até agora, era como espectadora. Nas duas últimas edições, fui com meu filho para assistir e me alimentar como artista. Então, quando o Miguel, da produção do ECOH, me contou que eu abriria o encontro, senti aquele frio na barriga que me acompanha desde criança. Só que, desta vez, o palco será a rua, um espaço em que também tenho me desenvolvido muito, e isso é muito especial.
O que o ECOH representa para a valorização da narrativa oral, na sua percepção?
Marina Dasaque – A palavra “encontro” diz muito. No teatro e na oralidade, ele acontece no presente e é único. A oralidade está em todas as culturas, é nossa maior educadora, é literatura, porque produz conhecimento. Ela é viva, transforma, manifesta o que não cabe em outras formas. É resistência e revolução. É arte que protege infâncias, liberta minorias, dá voz. E o ECOH amplia isso ao colocar diferentes oralidades em diálogo.
E o que significa para você abrir o encontro no assentamento Aparecidinha?
Marina Dasaque – Para mim, não é sobre levar cultura, é sobre compartilhar. Esse território já tem sua cultura. Vou para trocar, me alimentar da arte que está lá e oferecer a minha. O teatro, a contação de histórias e a oralidade são encontros: suspensão do tempo e do espaço para que haja uma troca humana intensa. Fui até lá e conversei com alguns moradores. Foi uma delícia conhecer o lugar. Estou ainda mais empolgada. Tenho certeza de que vai ser lindo.
Saiba todos os detalhes sobre a apresentação aqui.
Fotos: Júlia Rufini.
