Ecoh

ECOH: Uma jornada de vozes, memória e encantamento

O ser humano é, essencialmente, um ser narrativo. É a partir dessa premissa que nasceu, em 2011, o Encontro de Contadores de Histórias de Londrina, um projeto idealizado para reunir narradores de todo o Brasil, trocar experiências e  multiplicar a arte de encantar plateias.

Hoje, olhando para o horizonte, celebramos com orgulho a chegada da nossa 15ª edição em 2026, consolidando uma história que começou pequena, mas repleta de propósito.

O homem é um ser narrativo

Somos todos narradores de histórias, de nossas vidas, da vida de outras pessoas, de coisas que ouvimos falar. Mas há alguns contadores que conhecem formas especiais de encantar a plateia.

O objetivo deste encontro é reunir estas pessoas que, espalhadas pelo Brasil, conhecem variadas histórias e inventam modos diferentes de contá-las. E que possam falar de suas formas de narrar, trocar experiências e técnicas desta arte com os contadores de Londrina, para que esta prática cresça e se multiplique.

Mas o encontro não é feito apenas para profissionais. Vamos contar histórias em diversos pontos da cidade, incluindo escolas, praças, creches, bibliotecas, teatro. Nossa intenção é preencher a cidade com o encantamento de uma boa história. Você é nosso convidado especial.

Estamos começando a escrever a nossa história. Você quer contar a sua?

Claudia Silva e Rovilson José da Silva

Consideramos esse texto a melhor forma de começarmos a contar nossa história. 

Escrito por Claudia Silva, com colaboração de Rovilson José da Silva, ele está no primeiro caderno de programação do Encontro de Contadores de Histórias. Pequenino como a gente. Bonitinho, na melhor acepção da palavra. O caderno dá várias pistas do começo dessa história. Muito do que somos hoje já está ali, como a proposta de se espalhar pela cidade, uma das características do evento até hoje.

O entendimento da importância das histórias em nossas vidas já estava ali, junto com a vontade de narrá-las, de ser protagonista da construção da própria história.  Mas, o mais bonito talvez seja o fato de ali começar uma longa trajetória de aprendizados com as histórias. E o convite para a partilha, o pertencimento. 

Convite feito, venham conhecer um pouco mais e compartilhar dessa história bonita com a gente. Afinal, já são mais de são mais de 15 anos!!

O início de uma longa trajetória

A fagulha do evento surgiu de conversas entre Rovilson José da Silva e Regina Reis, e floresceu quando a produtora Claudia Silva tirou o projeto do papel, realizando a 1ª Edição (2011). Desde o começo, a intenção era ocupar a cidade: escolas, praças, bibliotecas e teatros tornaram-se palcos para o encantamento. Parceiros fundamentais, como o Restaurante Dona Menina, ofereceram o “quintal” que acolheu os primeiros artistas e equipes.

Os primeiros encontros

3º ECOH com Kiara Terra. Foto: Valéria Felix.
3º ECOH com Kiara Terra. Foto: Valéria Felix.

A identidade do evento foi se moldando a cada edição:

  • 2ª Edição (2012): Provamos que “história é coisa de adulto, também”, trazendo nomes como Paulo Freire e Edgar de Abreu para sessões voltadas ao público maduro. Foi também o ano de estreitar laços com narrativas de origem africana e de vivenciar momentos marcantes no Teatro Zaqueu de Melo.
  • 3ª Edição (2013): O apelido carinhoso finalmente se tornou oficial: nascia o ECOH. Esta edição foi marcada por homenagens emocionantes, como a mesa redonda sobre a vida de Yá Mukumbi (Dona Vilma), e discussões profundas sobre “A Poesia da Voz e da Cura”.
  • 4ª Edição (2014): Mergulhamos nas tradições indígenas com a presença de Ângela Pappiani e Cristiana Ceschi. Além disso, o conceito de “brincar” se estabeleceu definitivamente como pilar do evento, guiado pela sabedoria de mestres como Lydia Hortélio e Chico dos Bonecos.

ECOH: Verbo coletivo

Ao longo das edições mais recentes, o ECOH se consolidou como um coletivo de artistas, produtores e um encontro que busca ampliar a cada dia seu diálogo com temas relevantes. A oralidade passou a ser celebrada como uma “arte que protege, liberta e compartilha”

A cada Encontro reafirmamos nossos compromissos com:

  • A Cultura Popular.
  • Protagonismo Negro e Ancestral.
  • Descentralização.
  • Consciência Ambiental.
  • O encontro com outras linguagens artísticas como forma de potencializar as narrativas orais.
  • A formação de novos narradores.
  • A cultura do Encontro e da troca de Saberes.

Circulação do ECOH: extrapolando as fronteiras de Londrina

A Circulação do ECOH nasceu em 2019fruto do amadurecimento do Encontro de Contadores de Histórias de Londrina e artistas locais. Desde então, foram realizadas 18 etapas percorrendo municípios do Paraná com menos de 20 mil habitantes, levando histórias, leitura e brincadeiras que aproximam pessoas e fortalecem comunidades. O projeto realizou diversas apresentações, oficinas e encontros em Escolas, Instituições e Praças de cidades como Alvorada do Sul, Nova América da Colina e Mauá da Serra. Um dos destaques tem sido as tradicionais “Praças de Brincadeiras e Histórias” que democratizam o acesso à arte de forma gratuita e descentralizada.

2026: Uma edição histórica e comemorativa

Em 2026, o ECOH celebra seus 15 anos entre os dias 22 e 31 de agosto. O 15ª ECOH é especialmente significativo, pois reafirma a continuidade do sonho de sua idealizadora, Claudia Silva, falecida em 2025, cujo legado segue vivo através do Coletivo ECOH e do Instituto Cidadania.

Financiado pelo PROMIC, o festival mantém seu compromisso com a diversidade e a qualidade artística, abrindo espaço tanto para narradores consagrados de todo o país quanto para talentos locais do Norte do Paraná.

O ECOH continua a reativar a cidade como um espaço das pessoas, onde as histórias finalmente encontram um lugar para serem ouvidas.

Prepare-se para celebrar conosco essa década e meia de encanto!