Quinze anos sustentando o voo das histórias
A identidade do 15º ECOH nasce das histórias que atravessam o imaginário amazônico em torno do Uirapuru, pássaro de canto raro que, segundo a tradição popular, faz a floresta inteira silenciar para escutá-lo.
Em uma dessas narrativas, um jovem guerreiro chamado Quaraçá se apaixona por uma linda moça que estava prometida ao cacique. Impedido de viver esse amor, pede a Tupã que o transforme em pássaro. Assim nasce o Uirapuru, que encontra no canto uma forma de permanecer perto da amada. Sua voz atravessa a mata, corre entre as árvores e encanta todos os que param para ouvi-la.
Na ilustração criada para esta edição por Fernando Ito, o Uirapuru representa o encantamento que nasce das histórias. Como seu canto, a narrativa suspende o instante e altera o ritmo do tempo. Por alguns momentos, quem conta e quem escuta deixam o lugar onde estão e passam a habitar juntos outras paisagens, outras vidas e outras maneiras de compreender o mundo.
Ao redor de uma história, forma-se uma pequena comunidade de escuta. As vozes dos contadores atravessam tempos, territórios e gerações. Carregam memórias, reinventam sentidos e mantêm viva uma das formas mais antigas e humanas de encontro: alguém toma a palavra, alguém se dispõe a ouvir e, entre os dois, um mundo se abre.
Assim como o Uirapuru reúne a floresta ao redor de seu canto, o ECOH reúne pessoas ao redor da palavra narrada. O pássaro é o símbolo desta edição e da força ancestral das histórias que circulam de voz em voz. Histórias que pousam em quem as ouve, despertam imagens, emoções e perguntas e continuam ecoando muito depois que a última palavra é pronunciada.